Parece haver no mundo uma única maneira de pensar, um certo estilo de discurso político, uma certa ética intelectual. É muito interessante essa intimidade com Marx que o mundo tem mesmo nunca tendo acesso a essa literatura, isso é que quase nenhuma opinião sobre o desejo vagabundeia muito longe de Freud e tratam os sistemas de signos- significante com o maior respeito.
Sobre esses pilares assistimos os grandes acontecimentos do mundo. Mas o que quero levantar é o que esteve acontecendo no interior dos nossos muros? Uma amalgama de política revolucionária e anti-repressiva? Uma guerra levada em duas frentes- a exploração social e a repressão psíquica? Uma elevação da libido modulada pelo conflito de classe? Ou se viu ao contrário, um movimento em direção às lutas políticas que não se confortam mais com modelo prescrito pela tradição marxista? Um movimento em direção a experiência tecnológica do desejo que não foram mais freudianas?
E dentro de um desejo para a liberdade uma política, uma postura eu escolhi algo com um nome: Anti-Edipo, não que precise, mas seria ridículo eu me apropriar. E junto a ele não quero cair no erro de trata-lá como uma teoria que vai tudo englobar, não quero me tranqüilizar nessa busca de sentido da existência, não que não seja uma necessidade, mas estou disposto a todos os dias abortar minha identidade. ( e que venha a diversidade nas paixões). Digo e repito, não é necessário procurar uma filosofia nesta profusão extraordinária de noções novas e conceitos surpresas: ser anti édipo não é um Hengel escandaloso. A melhor maneira, creio eu, é abordar a vida como artista, apoiando-se sobre noções abstratas de multiplicidade, de fluxo, de dispositivos e de alternativas, um salto ao caos mantendo a analise do desejo com a realidade e com a máquina capitalista. Levantar questões menos fascistas e moralistas, o que vigora é como e não porquês. E assim possibilitarmo-nos introduzir o desejo no pensamento, no discurso, na ação e intensificar os processos de mudanças de ordem estabelecidas.
Tenho sim adversários, meus adversários pessoais que habitam meu coração, os ascetas políticos, as militancias morosas, o terrorismo da teoria e do saber que quer preservar a ordem pura da política e do discurso político. A burocracia da revolução e o funcionamento profissional em prol de uma verdade como os mais completos técnicos do desejo, a análise psicanalitica e a semiologia que registra cada sintoma e encontra o molde do signo reduzindo a organização múltipla do desejo à lei binária da estrutura e da falta, um adversário estratégico: o fascismo, não só fascismo de Hitler e de Mussolini que habitam a minha existência pois souberam mobilizar muito bem as massas, mas o fascismo de minhas condutas cotidianas, o fascismo que me faz amar o poder, desejar isso que domina e me explora, amar o câncer.
Anti -édipo é um estilo de vida, só meu. Você também pode ao meu ver ser chamado de anti édipo, mas exatamente por ser anti épido você não poderá ser eu, é uma maneira de pensar a vida mas que não quer o eu, só quer o outro, o estranho, o novo... E o que esta em jogo é desembaraçar nosso discurso e nossos atos, nossos corações e nossos prazeres do fascismo. Como caçar o fascismo que incrustou em nosso comportamento? É uma postura a introduzir a vida à uma vida não fascista, liberando a ação política de toda forma de paranóia unitária e totalizante, propor a ação, o pensamento e os desejos por proliferação, justaposição e disjunção, antes que por submissão e hierarquização piramidal. Aniquilar em nós a lei, o limite, a castração, a falta, a lacuna que por tanto tempo o pensamento ocidental vem mantendo sagrado enquanto forma de poder e modo de acesso à realidade. Eu honestamente vou ao múltiplo e deixo o único, a diferença à uniformidade, aos fluxos às unidades, aos agenciamentos móveis aos sistemas, considerar o produtivo e deixar o sedentarismo, mais nômadismo menos martírio e guerra.
Não fantasiar a necessidade de tristeza para ser militante, mesmo o que se combate seja abominável. É o elo do desejo `a realidade que possui uma força revolucionária e não uma fuga nas formas de representação. Muito mais sós e solidariamente mais coletivos.
Meu pensamento é o que sinto e ele é uma prática social política, e que me perdoem se um dia for dado valor de verdade a ele, nem para desacreditar um pensamento. Minha prática política tem uma relação de amor com a ética, ela só deve ser uma itensificadora , minha maneira de ser só ser dispositivo, só contágio, viva Dioniso!
Desindividualizar pela multiplicação e pelo deslocamento, pelo agenciamento de combinações diferentes, um grupo não é um elo orgânico que une indivíduos hierarquizados, mas um constante gerador de singularidade que não se apaixona pelo poder e nos leva a campos exitênciais sensíveis ainda não vividos . E que esse escrito não sirva de nada além de dispositivo de sensibilidade como flor e sorrisos
lipão/fê escreveu às
6:06:00 PM -