É compreensível que essa débil criatura, embora existimos em número tão grande, não consiga manter-se, que, de acordo com nossas particularidades, não possamos representar no mundo senão rebanho de cordeiros de lobos erradios. Contudo, vemos que pelo e para os governos de todos os níveis o burguês se oprimi contra a parede, mas nunca sucumbe; na verdade às vezes parecemos mesmo dominar o mundo. Mas nem um numeroso rebanho, nem a virtude, nem o senso comum, nem a organização serão suficientes para nos salvar da destruição. Não há remédio no mundo que possa sustentar uma intensidade tão débil em sua origem. Mas em toda vida essa burguesia será viva, forte e próspera.
A maior força vital da burguesia certamente não esta apoiada nas particularidades dos membros "normais" mas sim nos numerosos opositores, nos anti burgueses que rodeiam com vaga indecisão a elasticidade de seus ideais. Convivemos na burguesia com uma natureza forte e quase selvagem, e com isso desenvolvemo-nos muito mais do que se espera, conhecemos o outro lado do mundo, pensamos nas religiões não cristãs, conhecemos as delicias da meditação e também as sombrias alegrias do ódio e do ódio contra nós mesmos, desprezamos a lei, a virtude, o senso comum, e no entanto permanecemos prisioneiros e dependentes da mamãe burguesia por sentimentos infantis em um tanto contagiados de uma débil maneira de ser, que é se opor. Embora desterrados da burguesia continuamos nela por que estamos por ela, ao seu serviço, a sustentamos criando a existência dela pela negação, somos agentes publicitários dessa nossa querida que nos cria tão supremos a ela mesma.
lipão/fê escreveu às
1:28:00 PM -