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Linear. Processual. Desnecessário falar sobre a relatividade do tempo, ou mesmo, sobre a realidade do tempo. Desnecessário desmistificar essas datas. Resta levar em conta os marcos culturais eleitos para promover roturas no cotidiano. Datas transcendentes. No entanto, penso na imanência dos meios. As roturas são pontos que emergem dos meios. Não são os meios que estão entre pontos, mas pontos que surgem dos meios, de modo que coloco meus valores no que se passa nos meios, ou seja, o ano inteiro. No processo, não no resultado. "Quem irá me valer, são pessoas e a caminhada". O que se passa no processo e que dou valor é o fato do atravessamento e do contágio. Alianças se dão por contágio e contaminação. Penso em todos, penso em você. Por mais que tenhamos nos encontrado e por mais tempo que passamos juntos, o quanto nos atravessamos? o quanto nos contagiamos? O quanto trago de você, o quanto você leva de mim? Permitimos nos atravessar, quanto, como? Inclusive agora, através desse texto. "Quem não semear, não vai colher. Ai de quem é um e nunca será dois". De outra forma, por menos que tenhamos nos visto e estado juntos, a intensidade das sementes que plantamos, um no outro, faz com que os atravessamentos e contágios se desenrolem em devires com ou sem produções. Não interessa a produção, interessa os devires. "A melhor medida é a intensidade". No quanto fui atravessado e contagiado, no quanto atravessei e contagiei é que construí os valores humanos desse ano e é o que desejo pra você, no processo que aparentemente termina e reinicia em marcos. Ao fazer alianças, encontro prosperidade.
"Há sempre uma sonoridade no fio de Ariadne". Outro ponto que considero importante, é a questão da angústia da nossa constante solidão. Labirinto escuro e minotauro. Só não nos sentimos sós, quando iludidos, nos relacionamentos com nossos fantasmas. Fantasmas introjetados em nossas brincadeiras imaginárias, fantasmas projetados na brincadeira dos nossos papéis ordinários. Sempre sós. É nos devires, nos atravessamentos e contágios, que fazemos alianças, que estamos com. E chego na questão da expressão, da atualização, motivo pelo qual escrevo este texto em relação a algo em que nem acredito e nem valorizo. Natal, ano novo. Em meio ao labirinto escuro da solidão, quando assaltados por nossos fantasmas, uma sonoridade, uma expressão, que acalma nossos medos, e nos faz sentir que estamos com. Uma canção, um fio de Ariadne. "Quem irá me valer é o segredo de fazer amigo". E quem sabe, mais que um fio, uma rede. Ao estar com, encontro saúde.De toda forma, se é que não ficou claro entendido, agradeço por tudo o que estamos vivendo, por tudo o que você me provoca e me permite te provocar, fortalecer nossas alianças e desejar pra você saúde, prosperidade, e que em devires, vá realizando os seus sonhos, agora, nesta semana, nos dias de natal e ano novo e entre um ano novo e outro e mais outro, e mais outro. "Quem irá me valer, são meus sonhos no pé da estrada".
Sorrisos
lipão/fê escreveu às
1:14:00 PM -