A reflexão de Deleuze e Guattari, ao contrapor os devires à história, poderia ajudar a repensar essa heterogeneidade temporal da psicose que tanto desafia o tempo da razão, mesmo psicanalítica (Ibid, p.91-2).
O conceito de devir, tão importante quanto o acontecimento, delimita um entre-tempo do pensamento onde se forma um continuum na multiplicidade temporal. "(...) O pensamento e o tempo estariam assim, desde logo, numa relação de co-pertinência indissolúvel. (...) o próprio pensamento não poderia permanecer alheio ao projeto de liberar-se de uma certa idéia de tempo que o formatou, bom como do eixo que o encurva. Nesse sentido, a exclamação enigmática de Hamlet sobre o tempo que sai dos eixos vai de par com a exigência de um pensamento fora dos eixos, isto é, de um pensamento que deixasse de girar em torno do Mesmo" (Ibid, p.92-3).
O tempo, então ? não como anterioridade, instantaneidade, interioridade, mas como exterioridade pura ?, é a reversão inaudita a que nos convida Deleuze. O tempo como Fora sob a condição da dobra (ibid, p. 96).
lipão/fê escreveu às
1:08:00 PM -