Um bravo e musculoso guerreiro da antiguidade, a mulher amada, o menino filho deles numa cena típica de família burguesa; todos num campo de trigo, vento e uma voz feminina cantando melises ao fundo: uhhhhh, uhhhh, aaahhhh.
Não, não é o Gladiador, e voz dos melises não é da Lisa Gerrard, mas essas imagens é mais um produto da serialização: 300. Um filme que diz reconstituir um pouco da história dos Espartanos, mas que de vida Espartana, não tem nada. Tem sim muito de vida americana, sobretudo nessa era Bush. O próprio Bush, que no filme se chama Leônidas, repete muitas de suas frases ideológicas já usadas em outras guerras "iniciamos agora, uma era de liberdade"; "nosso exército é composto de homens livres". E por aí vai... dá pra colecionar.
É aquela velha história. Quando hoolywood não faz a série no formato 1, 2 e 3, faz séries com títulos e personagens diferentes. Lembram-se do mandato Clinton? Enquanto a indústria bélica produzia as armas que seriam usadas na próxima guerrinha deles, hoolywood produzia aquela sééééérie de filmes sobre invasões alienígenas (já que não tinham ameaças reais naquele momento). E o Clinton, que tinha lutado no Vietnan, ele próprio aparecia nos filmes como personagem, pilotando jatos, exterminando bravamente os ETs e livrando a família americana de uma colonização alienígena... ou seria uma colonização muçulmana, como agora em 300, Gladiador, Senhor dos Anéis, Hércules... não interessa. No fundo o que todos esses filmes contam é que eles são os melhores.
E para nós latino-americanos, 300 tem algo especial que é a participação do ator latino-americano Rodrigo Santoro. Coitado! O papel dele é bizarro. Ele está tão maquiado e empetecado que mais parece uma Drag Queen (deve ser pra manter a tradição brasileira a la Carmem Miranda). Qualquer um poderia estar ali. Vítima dos efeitos especiais, tem voz mixada, um corpo duplicado em altura e músculos e faz aquele personagem que antes de aparecer, você já sabe qual vai ser seu fim.
E é claro. As pessoas vão assistir, vão achar o máximo, os melhores efeitos, os melhores técnicos, os mais avançados recursos, o diretor tal, o roteirista tal... a serviço do lixo. Como é toda produção lixuosa daquela indústria: sempre igual, sempre o mesmo, similar às embalagens dos congelados. E vão perguntar: vai sair o livro? o bóton? o brinquedo? a caixa? Pra nós, filósofos atenienses latinos, a vida e os costumes Espartanos continuam nos livros dos bons historiadores da cultura grega. Portanto, não perca seu tempo, deixa esse cinema lixuoso pra massa homogênea a uniforme se entreter e colecionar.
lipão/fê escreveu às
5:14:00 PM -