Generalizar a arte feita por mulheres é passar de um olhar fisiológico para um fisiologista. Compreensível, porém injustificável, é o que poderíamos chamar de estética do ressentimento na chamada poesia feminina. Mais do que auto-piedade levada ao extremo, tal estética é o outro lado da moeda de um cânone machista. Redondilhas repletas de "eu" e "você" reproduzem a neurose doméstica de um caráter feminino informe, conscientemente mal-formado por um imaginário de família que não existe mais, senão nas propagandas de margarina. Qual é a distância entre o "eu" da redondilha e o relato autobiográfico ? Não se pode negar que as sociedades que basearam sua estrutura num modelo patrimonial e excludente tendem a fazer das mulheres alvo predileto. "Sexo frágil" é mais que uma descrição equivocada, senão uma perversa gestão da imagem feminina - por homens e mulheres. Da mesma forma a apropriação invertida desse imaginário pelas feministas, atualmente acabou sendo incorporado ao esteticismo de consumo (feminismo neo-liberal).
"Nenhuma metáfora se elucida comparando-se estatísticas. Ou mesmo construindo identidades. Hoje, se sobrepõem à questão do feminino diversas agendas sexuais; vozes solitárias confundidas com projetos mal-sucedidos de donas-de-casa, ou ainda rapazes de índole duvidosa. Sim, pois o feminino há muito tempo deixou de ser exclusividade das mulheres, tornou-se um ponto de fuga, um devir;
lipão/fê escreveu às
1:21:00 PM -