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Sexta-feira, Dezembro 29, 2006

cartografando a exclusão/ou inclusão

No século XVII o homem produziu supostas verdades absolutas a respeito do bem e mal, certo e errado, perfeito e imperfeito, normal e anormal, belo e feio e entre outras dicotomias, sendo preciso criar instituições de vigilância constantes contra todos que de alguma maneira representavam serem ?degenerados? ou desviantes da linha traçada como processo civilizatório pelo novo sistema que viria, o capitalismo do mercado. Portanto, mecanismos de vigilância e a conseqüente punição contra aqueles que por algum motivo não se adequaram aos modelos pré estabelecidos de perfeição humana começou a desenvolver seu papel através de escolas, prisões, asilos, manicômios e outros... Cada passo do degenerado deveria ser catalogado, classificado e diagnosticado de acordo com a gravidade do desvio ou potencial desvio e quem exercia essa função eram os profissionais especializados, os donos do saber, saber médico, legislativo, de professorado e etc. O essencial era procurar corrigir, reeducar, disciplinar ou, como prefere Foulcault: produzir corpos submissos e dóceis para que o degenerado pudesse ser devolvido a um caminho linear pretensamente normalizante. Voltar para os trilhos da produtividade.

Após a segunda Guerra se deu uma passagem gradativa de sociedade disciplinar para sociedade de controle, prescindindo-se das instituições rigidamente fechadas para que os sujeitos entrem em uma dinâmica constante de controle e sujeição.
Anseia-se, agora, pela inclusão dos indivíduos no mercado consumidor, mais, portanto, do que um mero investimento da adesão pacifica e dócil dos corpos. Não há mais a autoridade centralizada e repressiva, pois ela passa a coexistir com o autocontrole estabelecido no âmbito das relações horizontalizadas e aparentemente livres de qualquer coerção.

Felix Gatarri em sua obra, Revolução Molecular cita o papel da mídia nesse processo, mais especificamente a televisão, na medida que o telespectador não é mais um mero consumidor de mensagens codificadas e auto-suficientes e sim uma peça conectada às suas imagens. Nesse sentido, ela é capaz de controlar, manipular e se insinuar sobre os desejos subjetivos de cada individuo garantindo a captura e uma conseqüente servidão maquinica ou, pelo menos cumplicidade em relação à produção de subjetividade capitalista.

Não se trata de usuários sujeito a maquina, mas sim de partes constituintes de seu enunciado midiático, onde os cidadãos são constantemente convocados a participarem do anseio pelo aumento de produtividade e do consumo de utensílios, sejam eles de primeira necessidade ou não.
Leva-nos a pensar a sociedade onde deve prevalecer a adesão ou cumplicidade de todos os cidadãos no transcorrer da possível configuração de um modelo de integração, restando aos ?fracos? e ?deficientes? a simples filantropia e o sonho de que no futuro, talvez próximo, também venham a ser incluídos na lógica competitiva do mercado.

lipão/fê escreveu às 9:16:00 PM -


MOKA, 24 ANOS, DJ, BARMAN E WEBDESIGNER. VIVE EM SÃO PAULO E AGORA TRABALHA!.

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LIPE, 24 ANOS, MUSICOTERAPEUTA, VIVE EM SÃO PAULO E TRABALHA COMO TERAPEUTA.

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