"O casal feminino-passivo/ masculino/ativo permanece uma referência tornada obrigatória pelo poder, para permitir-lhe situar, localizar, territorializar, controlar as intensidades do desejo. Fora dessa bipolaridade exclusiva, não há salvação: ou então é a caída no absurdo, o recurso à prisão, ao asilo, à psicanálise, etc. O próprio desvio, as diferentes formas de marginalismo são codificadas para funcionar como válvulas de segurança. Em suma, as mulheres são os únicos depositários autorizados do devir corpo sexuado. Um homem que se desliga das disputas fálicas, inerentes a todas as formações de poder, se engajará, segundo diversas modalidades possíveis, num tal devir mulher."
O fato de não podermos mais recorrer a universais como Sociedade, Homem, Mulher, introduzem uma dose extra de desconfiança em relação a essas vozes. Útil, nesse caso, é uma certa tradição marginal de pseudônimos na arte como um campo de experimentação válido, senão necessário, para percebermos que não se trata de construir guetos de fácil reconhecimento.
"Se a sexualidade se constituiu como um domínio a se conhecer, foi a partir de relações de poder que a instituíram como objeto possível; e em troca, se o poder pôde tomá-la como alvo, foi porque se tornou possível investir sobre ela através de técnicas de saber e de procedimentos discursivos."
Onde uma mulher pode chegar no interior de seu gueto, esse aprazível recanto doméstico de um intelecto particular ?
lipão/fê escreveu às
11:16:00 PM -