Quando desistir da guerra, linda heroína.
E sua esperança não precisar mais dessa esfera
Quando seu sonho não sonhar mais esses motivos, alicerces, edifícios...
E da queda não fazer da superação presídio
Eu estarei aqui na margem para segurar suas mãos cansadas, que não precisam segurar cruz ou espada
Quando você seja lá por que for, desistir de si
E não vier preferindo ficar para esperar o que nunca alcançará
Quando se achar encantada com as cerimônias do altar ou com a espera de uma menina na escolinha
E preferir sentar-se ao lado delas para segurar suas mascaras choronas unindo-se as suas histórias para fazer-se só e sentir a poesia autônoma de um abandono
Só saiba que estarei na margem me equilibrando na imanência de uma erupção que guarda dentro de você
Quando quiser me ver e perceber-se nos meus olhos mais bonita
Meta-se a me invadir e descubra-se em seus contos e retratos
Prepare-se, vou abrir a boca para lhe mostrar como ficou o lar que fiz dos seus beijos não dados e dos suspiros não falados que engoli
Se não vier morar, visite-me para pelo menos ver como são suas cores aqui pintadas
Quando tiver coragem de derrubar sua torre princesa, e não mais se relacionar com as expressões do muro
E perceber que sua libido não precisa ser vendida para um conto de fadas
Quando rasgar os protocolos triangulares nas instituições do amor
E entrar minúscula na beleza dessa fuga e ver nascer sua criança que quando adulta grande queria ser
Vou estar na margem querendo sentir seu grande sabor de mulher que se faz jovem, doce e madura de tanto sabor teu
Quando puder sorrir para seus desejos e visualizar sua produção refletida no meu coração
E olhar os espaços de blocos vazios que você abriu tão cedo, mas teve medo de desocupar deixando vazio as estruturas do amor de quem a ama
Quando não precisar mais negar-se para provar ao poder sua posição de amante
E poder pisar suas geografias imprecisas de suas pulsões nômades
Lembre-se que estou na margem te esperando para nos dar os parâmetros do salto
Quando descobrir-se existindo em outro lugar repare em um perfume de flores
São daquelas sementes estranhas que te dei
Elas estão plantadas no meu peito, e se quiser abri-las e ver em mim o seu jardim regue-as, podendo ate ser com lágrimas
Deste que não sejam das mágoas que por você não precisam ser choradas. Não quero nos trair
lipão/fê escreveu às
10:24:00 AM -