Por Alberto Dines em 10/10/2006
A divisão do programa em cinco blocos (para aumentar o número de inserções comerciais) cansou a audiência e cansou os beligerantes. Quem conseguiu causar suspense e provocar um mínimo de aprofundamento foram os jornalistas do grupo Bandeirantes. Que só tiveram acesso a um bloco.
Os marqueteiros e assessores das duas campanhas não foram pegos de surpresa: aprovaram o formato, sabiam de antemão que seria impossível oferecer um mínimo de idéias e projetos de governo. Queriam guerra, estavam a fim de revanches. O faroeste e o friforó [antiga corruptela de "free for all"] ainda dominam o imaginário dos nossos publicistas e publicitários.
Com estas considerações fica parecendo ao leitor que este observador discorda da acalorada discussão sobre o Dossiêgate. Esta é uma discussão de capital importância, não pode ser ignorada (e certamente vai estender-se além da posse do próximo presidente, inclusive no tocante ao papel da revista IstoÉ), mas estreitado naquele formato, mesmo um assunto destas proporções rendeu, no máximo, estocadas. Nenhuma delas mortais.
Com 45 segundos para formular uma pergunta, o candidato Alckmin não poderia mostrar ao telespectador as dimensões do episódio, o mesmo aconteceu com Lula quando precisou oferecer um background de informações preliminares para armar seu contra-ataque.
Se a Band pareceu excessivamente preocupada em obter altos índices de audiência para um evento de interesse público, a TV Globo não escondeu o seu desinteresse em valorizá-lo. O debate foi manchete de todos os grandes jornais do país no dia seguinte (inclusive do Globo), freqüentou as rádios ao longo do dia inteiro (inclusive na CBN), estava nos portais e nos blogs da internet, mas não "repercutiu" no principal telejornal brasileiro, o Jornal Nacional da TV Globo. Isso não é manipulação, é paroquialismo. Briga de comadres. Faz parte desse colossal espetáculo cada vez menos político e cada vez mais circense, no qual o futuro do país é decidido em corridas de bigas quebradas e lutas entre gladiadores assustados.
lipão/fê escreveu às
2:11:00 PM -