Tenho a impressão, talvez pura impressão, que a psicanálise se preparou para encerrar a sexualidade numa bizarra caixa com enfeites burgueses, numa espécie de asqueroso triângulo artificial que asfixiava e ainda culturalmente asfixia toda a sexualidade como produção de desejo para lhe voltar a dar (embora de modo diferente) a figura de um segredinho nojento, o segredinho familiar, um teatro intimo em vez da fantástica fabrica: natureza produção.
A sexualidade tem mais forças ou mais potencialidades e talvez a psicanálise viesse a ser capaz de desinfectar o nojento segredinho, embora não melhor por isso. Mas também foi capturada pelo moderno Edipo tirano. Assim a psicanálise conseguiu, conseguiu nos rebaixar, de nos aviltar e de nos tornar culpados. Conseguiu?
Foucault fez notar que a relação da loucura com a família se funda num desenvolvimento que afectou a sociedade burguesa do século XIX no seu conjunto, ao confiar a família funções através das quais eram avaliadas a responsabilidade dos seus membros e a sua eventual culpabilidade. Ora, na medida em que a psicanálise envolve a loucura num complexo familiar e redescobre a comfissão de culpabilidade nas figuras de auto punição que resultam do Édipo conclui o que a psiquiatria do século XIX começou: faz surgir um discurso moralizado da patologia mental ligado a família. Então o atentado incessante ao pai abafa a revolta dos instintos contra a solidez da instituição familiar e contra os seus símbolos mais arcaicos, e não participa num empreendimento de efetiva libertação. Concluo junto ao autores que: a psicanálise participa da obra mais geral da repressão burguesa, e constitui em manter a humanidade européia e suas descendentes nações sob o julgo papai e mamãe, e não colaborou para acabar de vez com esse problema.
reflexão sobre trecho do livro O ANTI-ÉDIPO ( Deleuze e Gattarri)
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lipão/fê escreveu às
1:56:00 AM -