Dava-me uma gota de seu choro para existir minhas mães
Mais um fluxo, uma gota em minha mão
Um choro na palma de seu delírio diluvio interno
Da chuva que foi eu ontem quando cheguei molhado em sua minha casa
Chora no seu limite louvando seu individual meu espaço
Chora para o seu limite e me invade molhadamente devagar
Logo vou estar na gota d água quando a menina chorar
É parreira e tem que podar
Deixa chorar, deixa chorar
A parreira menina
Eu sei que dói a beleza do choro na menina
Contemplar perversamente o desfazer da nuvem pesada de seus ombros
O prazer doloroso de saber que crescerá depois
depois do choro o fruto é doce
chora agora pra depois sabor te mimar
vai chover nos olhos da menina a lágrima branca da parreira
a dor dilui em um licor fértil de substâncias lindas de sonhar
deixa a lágrima que hoje é culpa minha
é jeito de viver mais
é parreira tem que podar
deixa chorar, deixa chorar
a menina parreira
lipão/fê escreveu às
4:51:00 PM -