Maneirismo- o ethos é ao mesmo tempo as morada e maneira, pátria e estilo. Ve-se isso nas danças ditas barrocas, ou maneiristas onde cada pose, cada movimento instaura tal distância. Há uma arte nas poses, das posturas, das silhuetas, dos passos e das vozes.
"Dois esquizofrenicos se falam, ou deambulam, seguindo leis de fronteiras e de território que podem nos escapar".
Dois animais do mesmo sexo e de uma mesma espécie se afrontam; o ritmo de um "cresce" quando ele se aproxima de seu território ou do centro desse território, o ritmo do outro decresce quando ele se afasta do seu, entre os dois, nas fronteiras, uma constante oscilátória se estebelece: um ritmo ativo, um ritmo sofrido, um ritmo testemunha? Ou então o animal entreabre seu território ao parceiro do outro sexo: forma-se um personagem ritmico complexo, em duos, cantos alternados ou antifônicos, como nos pegas africanos.
Mais do que isso, é preciso considerar simultaneamente dois aspectos do território: ele não só assegura e regula a coexistência dos membros de uma mesma especie, separando-os, mas torna possivel a coexistência de um máximo de espécie diferentes num mesmo meio, especializando-as
Chronochromie- (Messiaen) composição com dezoito cantos de passaros que formam personagens rítmicos autônomos e realizando, ao mesmo tempo, uma extraordinária paissagem em contrapontos complexos, acordes subentendidos ou inventados.
esse blog muitas vezes pode ter sido considerado dessa maneira.
lipão/fê escreveu às
11:56:00 AM -