uma estratégia evolutiva para os processos de comunicação homem-máquina.Para entendermos a proposta de mente incorporada como uma estratégia evolutiva para os processos de comunicação homem-máquina, precisamos primeiro compreender a proposta de interfaces co-evolutivas e sob que condições elas efetivamente se apresentam. Diferente da idéia de hierarquia, que porventura possa ser estabelecida quando pensamos em interfaces homem-máquina, as interfaces co-evolutivas rompem com qualquer que seja o pensamento de dominância que venha se configurar entre homem e máquina, uma vez que essas interfaces não são desenvolvidas pelo homem para o homem, mas criadas para pensar e evoluir qualquer pensamento no sentido de instaurar a troca de informações evolutivamente contínua entre ambientes biológico e tecnológico.Nesse sentido, primeiro temos que atentar para a idéia de que homem e máquina no contexto dessas interfaces não se apresentam como estruturas completamente distintas e adversas, como em outras circunstâncias foram tratadas. Ao contrário disso, as interfaces co-evolutivas conduzem os ambientes biológico e tecnológico a um estado de profunda simbiose que, não somente promove a completa modificação de suas estruturas pelas próprias ações de um sobre o outro através das conexões viabilizadas por essas interfaces, como também, co-evolutivamente atuante nesse sistema, observam as alterações de suas próprias estruturas.
Nessas interfaces não observamos mais uma ação direcionada no homem que impera sobre a máquina imprimindo comandos e recebendo como resultado disso as respostas antecipadamente aguardadas. Não há mais uma relação de causa e efeito, nem uma expectativa de começo e fim, mas um fluxo contínuo de informações que trafegam pelos ambientes biológico e tecnológico sem fronteiras ou pedágios a serem pagos. Nessa direção, torna-se evidente que o conceito de corpo não poderá mais ser aplicado exclusivamente às estruturas biológicas.
Completamente reformulado esse conceito redimensionado nos conduz também a entender a consciência não mais como uma função exclusiva de um corpo biológico, localizada em um cérebro. Mas como uma função de um organismo orgânico ou sintético e que não mais é detectável como advinda de um órgão específico. Uma propriedade que emerge de um estado de cooperação entre cérebro e corpo, seja ele biológico ou não.Sem bordas delimitatórias que distingam ou separem esse corpo da sua mente e do seu ambiente, ou o dentro e o fora, a consciência co-evolutiva emerge sob as condições específicas de um acordo evolutivo, aqui instaurado por essas interfaces entre os corpos biológico e tecnológico.Assim como o corpo não se separa de seu pensamento, corpo e mente se apresentam como um continuum no qual o pensamento se dá no corpo todo e não em uma área localizada de um cérebro, seja ele de natureza orgânica ou sintética.Desse modo, as interfaces co-evolutivas promovem um fluxo co-evolutivo de informações entre esses corpos, à medida que os ambientes biológicos e tecnológicos trocam ininterruptamente informações produzidas a partir de uma relação de co-colaboração a tal ponto deles próprios poderem tornar-se indistinguíveis.
continua............
lipão/fê escreveu às
1:42:00 PM -