Um exemplo teórico-prático de criação, desenvolvimento e implementação de interfaces co-evolutivas é o experimento laboratorial que vem sendo desenvolvido. Nele o ambiente tecnológico emerge como uma forma de vida à medida que atua no sistema como um coreógrafo tecnológico parceiro do coreógrafo biológico, instaurando uma relação sem hierarquias, ou seja, sem o controle do coreógrafo biológico sobre o tecnológico, ou o contrário.
Assim, partindo dos resultados obtidos na minha pesquisa "Co-evolução entre corpos: uma investigação com sinais cerebrais", "Interfaces Co-evolutivas: processos de comunicação entre cérebro, computador e corpo que dança" procurando investigar os possíveis processos de comunicação que se estabelecem quando informações biológicas (sinais cerebrais) utilizadas para treinar uma rede neural artificial, auto-organizada e evolutiva, retornam ao ambiente biológico como estímulos sensório-motores aos corpos de dançarinos.Nesse sentido consiste a criação, desenvolvimento e implementação de interfaces cérebro-computador e corpo que dança, através das quais os dançarinos recebem em seus corpos diretamente as informações biológicas contidas nos sinais cerebrais, extraídos do escalpo de artistas e não-artistas e adquiridos durante os processos de observação e imaginação de movimentos de dança e do cotidiano em experimento controlado, codificadas como estímulos sensório-motores.
Essas interfaces atuam co-evolutivamente à medida que o sistema digital utilizado para codificar os sinais cerebrais em sinais sensórios-motores aprende e evolui essas informações biológicas, modificando-as e simultaneamente modificando-se, atuando como um coreógrafo tecnológico e marcando uma relação intrínseca de co-colaboração e parceria entre ambientes biológicos e tecnológicos.Assim, a partir da aplicação dessas interfaces efetivamente na criação coreográfica, busco observar, registrar e pesquisar o comportamento desses corpos, treinados pela dança, ao e após o recebimento dessas informações biológicas aprendidas e evoluídas no ambiente tecnológico e transmitidas como estímulos sensório-motores específicos.
E desse modo poder verificar além da possibilidade de alguma modificação aparente na forma, na arquitetura e/ou no padrão de movimentação desses corpos, também a possível descoberta e mapeamento de outros níveis de percepção ainda não investigados por esses corpos que dançam.Assim como essa, outras pesquisas que venham a se utilizar dessa proposta de interfaces co-evolutivas, diretamente estarão apontando para o questionamento do que as interfaces virão a ser e até mesmo da própria continuidade de sua existência, à medida que homens e máquinas incorporarem reciprocamente suas mentes. Nesse momento um outro paradigma estará sendo anunciado.
lipão/fê escreveu às
10:23:00 AM -