Há território no momento em que há expressividade do ritmo, quando há emergências de matérias de expressão. Ex; a cor dos pássaros ou dos peixes: a cor é um estado de membrana, que remete ele mesmo um estado interiores hormonais; mas a cor permanece funcional e transitória, enquanto esta ligada a um tipo de ação ( sexualidade, agressividade, fuga). Ela se torna expressiva, ao contrário, quando adquire uma constância temporal e um alcance espacial que fazem dela uma marca territorial ou, melhor dizendo, territorializante: uma assinatura. A questão não é a de saber se a cor retoma funções, ou cumpre novas no seio do próprio território. Isto é obvio, mas essa organização da função implica primeiro que o componente considerado tenha se tornado expressivo, e que seu sentido, desse ponto de vista, seja marcar um território. Uma mesma espécie de pássaro pode comportar representantes coloridos ou não; os coloridos tem um território, enquanto os esbranquiçados são gregários. Sabe-se do papel da urina ou dos excrementos na marcação; mas justamente, os excrementos territoriais, por exemplo do coelho, tem um odor particular devido as glândulas anais especializadas. Muitos macacos, de sentinela, expõe seus órgãos sexuais de cores vivas: o pênis torna-se um porta cores expressivo e ritmado que marca limites de território. um componente de meio torna-se ao mesmo tempo qualidade e propriedade. Em muitos casos, constata-se a velocidade desse devir, com que rapidez um território é constituído, ao mesmo tempo em que são produzidas ou selecionadas as qualidades expressivas.
O território não é primeiro em relação a marca qualitativa, é a marca que faz território. é bem neste sentido eu o território e as funções que nele se exercem são produtos de territorialização. A territorialização é o ato do ritmo tornado expressivo, ou dos componentes do meio tornados qualitativos. A marcação de um território é dimensional, mas pode não ser uma medida, é um ritmo. Ela conserva um caracter mais geral de um ritmo, esses dois planos distinguem-se como das expressões territorializantes e os das funções territorializadas.
Lorenz tende constantemente a apresentar a territorialidade como efeito da agressão intra especifica, (assim como Freud e a sexualidade). Não podemos acreditar que seria a evolução filogenética de um instinto de agressão que faria o território. Um animal de território seria aquele que dirige sua agressividade contra outro membros da sua espécie; o que dá a espécie a vantagem seletiva de se repartir num espaço onde cada indivíduo ou grupo, possua seu próprio lugar. Essa tese é ambígua, com ressonância políticas perigosas.
No seio do território a inúmeras reorganizações, que afetam tanto a sexualidade, como a caça, o sexo e etc..; há até mesmo novas funções, como construir um domicílio. Mas essas funções só são organizadas ou criadas enquanto territorializadas, e não o inverso. O fator territorializante. Esse deve ser buscado em outro lugar: precisamente no devir expressivo do ritmo e da melodia, isto é, na emergência de qualidades próprias (cor, odor, som, silhueta...)
lipão/fê escreveu às
11:55:00 AM -