Minha cerveja desce doce pela garganta
Enregela minhas cordas vocais que transferem meu impulso de falar pros meus dedos
Mas pouco ou nada tenho a dizer
As bailarinas de Degas penduradas em minha parede branca e suja estão caladas
No seu movimento congelado e azul
Meu corpo ainda se ressente do ultimo porre
E eu o alimento com mais outro
Na tv só palavras e imagens
Ligada como pra me manter conversando com o mundo
Conversa muda
Sem resposta
lipão/fê escreveu às
10:47:00 AM -