Não acho que devemos contrapor as relações de produção econômica às relação de produção subjetiva.
A meu ver, ao menos nos ramos mais modernos, mais avançados da indústria, desenvolve-se na produção um tipo de trabalho ao mesmo tempo material e semiótico. Mas essa produção de competência no domínio semíotico depende de sua confecção pelo campo social como um todo: é evidente que para fabricar um operário especializado não há apenas a intervenção das escolas profissionais. Há tudo que se passou antes na escola primária, na vida domestica ? enfim, há toda uma espécie de aprendizado que consiste em ele se deslocar na cidade desde a infância, ver televisão, enfim, estar em todo um ambiente maquínico
Na verdade, a produção de um bem manufaturado não se restringe a uma esfera, à esfera da fabrica. A divisão social do trabalho implica uma quantidade enorme de trabalho assalariado fora da entidade produtiva ( nos equipamentos coletivos, por exemplo ), e de trabalho não assalariado, sobre tudo das mulheres. Aquilo que chamei de produção de subjetividade do CMI não consiste unicamente numa produção de poder para controlar as relações sociais e as relações de produção. A produção de subjetividade constitui matéria prima de toda e qualquer produção
A noção de ideologia não nos permite compreender essa função literalmente produtiva da subjetividade. A ideologia permanece na esfera da representação, quando a produção essencial do CMI não é apenas a da representação, mas a de uma modelização que diz respeito aos comportamentos, à sensibilidade, à percepção , à memória, às relações sociais, às relações sexuais, aos fantasmas imaginários, etc.
lipão/fê escreveu às
11:46:00 AM -