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Quarta-feira, Março 23, 2005

Subjetividade e história

As questões da economia coletiva do desejo deixam de parecer utópicas a partir do momento em que não mais considerarmos a produção de subjetividade como sendo apenas um caso de superestrutura, depende das estruturas pesadas de produção das relações sociais. A partir do momento em que consideramos a produção de subjetividade como sendo uma matéria prima da evolução das forças produtivas em suas formas mais desenvolvidas. Matéria prima do próprio movimento que anima a crise mundial atual, essa espécie de vontade de potência produtiva que revoluciona a própria produção através das revoluções cientificas, biológicas, através da incorporação massiva da telemática, da informática, da ciência dos robôs, através do pesos cada vez maior dos equipamentos coletivos de mídia

Se os marxistas e progressistas de todo tipo não compreendem a questão da subjetividade, por que se entupiram de dogmatismo teórico, isso em compensação parece não Ter acontecido com as forças sociais que administram o capitalismo hoje. Elas entendem que a produção de subjetividade talvez seja mais importante do que qualquer outro tipo de produção, mais essencial até do que o petróleo e as energias. No Japão, por exemplo não se tem petróleo mas se tem- e como!. Uma produção de subjetividade. É essa produção que permite à economia japonesa se afirmar no mercado mundial, a ponto de receber a visita de centenas de delegações patronais que pretendem japonizar as classes operárias de seus países de origem.
Tais mutações da subjetividade não funcionam apenas no registro das ideologias, mas no próprio coração dos indivíduos, em sua maneira de receber o mundo, de se articular como tecido urbano, com processos maquinicos do trabalho, com ordem social suporte dessas forças produtivas. E se isso é verdade não é utópico pensar que uma revolução, uma mudança social a nível macropolítico, macrossocial, diz respeito também à questão da produção da subjetividade, o que deverá ser levado em conta pelos movimentos de emancipação.
Essas questões, que pareciam ser marginais ( do domínio da psicologia da filosofia ou dos hospitais psiquiátricos), com o nascimento de imensas minorias que juntas constituem a maioria da população do planeta, tornam-se questões fundamentais. Não considero que haja uma teoria ou uma cartografia geral da forma como são semiotizadas essas problemáticas. Esse ponto é para mim fundamental, pois a representação teórica e ideológica é inseparável de uma praxis social, inseparável das condições dessa praxis: é algo que se busca no próprio movimento, incluindo-se nesse movimento os recuos, as reapreciações e as reorganizações das referências que forem necessárias. É a condição, a meu ver, para que elementos de apreciação como Exu e Ogum, elementos do candomblé, sejam levados em consideração no modo de cartografia, de semiotização, de apreensão das problemáticas, aqui no Brasil.

CONTINUA...

lipão/fê escreveu às 3:26:00 PM -


MOKA, 24 ANOS, DJ, BARMAN E WEBDESIGNER. VIVE EM SÃO PAULO E AGORA TRABALHA!.

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