DANÇANDO EM MIÚDOS
Versão "diet" da house e do tecno, som minimal étendência no mundo todo, inclusive no Brasil
A fama dos seguidores do minimalismo, seja na arquitetura, nas artes plásticas ou no design, sempre foi essa, tão comicamente retratada no "Ab Fab": gente de gestos econômicos, metida a besta e com uma eterna pose de carão.
Mas nos anos 2000, se depender da música eletrônica, o antigo imaginário em torno dos minimalistas está com os dias contados.Com a pedra fundamental dividida entre Detroit (EUA), Colônia e Berlim (Alemanha), o minimal, em suas diversas variações (tecno minimal, microhouse, click_n_cuts, glitch), vem se firmando como uma deliciosa e sexy trilha sonora pra quem gosta de se acabar numa pista de dança.Dos DJs ao público que consome o minimal, não tem nada de carão. Ao contrário, a lei é se divertir, dançar , suar a camisa, sorrir gratuitamente.
Se o comportamento dos fãs de minimal não tem nada a ver com a antiga fama cri-cri do movimento, já a sua trilha sonora segue bem o conceito do "menos é mais" que norteia o minimalismo em todas as formas de arte. Ou seja, o minimal é a house ou o tecno depois de um bom regime. Vão embora os excessos, fica o básico.Se você, assim como eu, tem ouvido falar bastante de minimal, não é à toa. Há hoje uma gama enorme de artistas ? boa parte morando em Berlim ? trazendo novo fôlego ao mundo da música eletrônica. E não sou eu que tô dizendo: deu na capa da revista "DJ", bíblia inglesa da música eletrônica pop. E na americana "XLR8R", sabe quem saiu na capa de dezembro passado como artista do ano de 2004? O americano Matthew Dear, a grande revelação do último festival Sónar, de Barcelona.Claro que o som minimal que hoje você dança nas pistas não brotou de um copinho com algodão molhado e um pé de feijão. Suas raízes estão em nomes longíquos da música minimalista experimental, que na raíz nada tinha de dançante. Os pioneiros nos experimentos minimalistas são americanos como Steve Reich, Philip Glass e La Monte Young ? este talvez o primeiro a compor uma peça minimalista, em 1959, "Trio for Strings". Além deles, também merecem crédito aqui Stockhausen, John Cage, Schoenberg...
De volta ao minimal dos anos 2000, é natural que a Europa tenha se ligado já há algum tempo que menos é mais. Grandes clubes, como o Fabric, de Londres, o Nitsa, de Barcelona, e o Robert Johnson, de Frankfurt, investem pesado, já faz um par de anos, em atrações como os chilenos Ricardo Villa-Lobos e Luciano, os canadenses Richie Hawtin, Mathew Jonson e Akufen, além de Luomo, Craig Richards (que migrou do tech-house pro minimal e formou o Tyrant), Michael Mayer (dono do selo Kompakt), Lusine, Steve Bug, John Tejada, Markus Nicolai, todos nomes quentíssimos deste universo minimal.
Em Paris, por exemplo, a noite
Minimal Dancin toma conta das sextas-feiras do Nouveau Casino, um dos principais clubes da cidade, sempre com gente saindo pelo ladrão.Veja você como às vezes o Brasil engrena rapidamente numa quinta marcha. A primeira grande investida no minimal por aqui rolou em setembro de 2004, durante o Nokia Trends Sonarsound São Paulo. Foi lá que se apresentaram Matthew Herbert, Ricardo Villa-Lobos, Matthew Dear e Akufen. Em dezembro, o clube D-Edge investiu uma grana pra bancar a vinda de Richie Hawtin e da polonesa Magda, na festa Concept. No mesmo mês, estreou a festa itinerante No Hay Banda!, com o finlandês Luomo e o alemão Thomas Melchior. Em janeiro, Hawtin tocou também no Lov.e. E neste começo de 2005, já são três as noites fixas de minimal em São Paulo (Mínima, Motronic e Magiclick).
lipão/fê escreveu às
10:52:00 AM -