Imbecilmente sempre traço dois caminhos:
Primeiro tento o do prazer, se não consigo vou a dor
Quando não encontro nem um nem outro e respiro a morna mediocridade dos dias chamados bons, sinto ?me tão dolorido e miserável em minha alma infantil!
Eu odeio o que tenho que fazer
Esse otimismo bem cuidado dos cidadãos, essa educação adiposa e limpa dos medíocres como eu, do normal e do acomodado
Dias vulgares da encerada e limpa casa de respeito, cujo eu vivo
Não sei por que motivo
Sou sem pátria e solitário, um odiador desse modo de ser
Mais por algum motivo cá estou, talvez por algum sentimentalismo idiota chamado bondade. Tenho certeza que esse sentimento foi criado por um iluminista burguês ridículo.
Tudo aqui é decêntíssimo, cheio de tédio e cuidadosamente conservado. E pior, religioso.
Agrada-me respirar esse cheiro de lar calmo, de ordem, de limpeza artificial, de decência cristã e de domesticidade de uma militância pós ditadura em um paradoxal de liberdade e responsabilidade, não que elas devessem realmente lutar
Mas o neo-liberalismo soube fazer a pedagogia acreditar em liberdade e escravidão, alguém deve estar ganhando muito dinheiro com isso!!
O amor ordinariamente é igual a isso tudo que foi aprendido nessa atmosfera
Vinda sem duvida da minha infância, meu secreto anseio por algo assim sempre me leva desesperadamente pelos malditos mesmos estúpidos caminhos
Apesar de meu desprezo, tudo isso me comove
Estou pensando que tudo isso não importa, bebi muitas cervejas, enquanto pensava na problemática do ser humano, e em dar um sentido a vida
lipão/fê escreveu às
11:09:00 AM -