O inconsciente...
E o inconsciente? Freud postulou a existência de um continente oculto da psique, no seio do qual se processaria o essencial das opções pulsionais, afetivas e cognitivas. Hoje não é possível dissociar as teorias do inconsciente das práticas psicanalíticas, psicoterapêuticas, institucionais, literárias e etc. que fazem referência a ele. O inconsciente tornou-se uma instituição, um equipamento coletivo entendido no sentido amplo. Encontra-se travestido de um inconsciente em que se sonha, quando se delira, quando comete-se um ato falho, um lapso... Incontestavelmente as descobertas freudianas que nós preferimos chamar de invenções, enriqueceram os ângulos sob os quais pode-se hoje abordar a psique. Também não é absolutamente em um sentido pejorativo que falo aqui de invenção! Do mesmo modo que os cristãos inventaram uma formula de subjetivação, ou a cavalaria cortês ou romantismo, bolchevismo, as diversas seitas freudianas segregaram uma nova maneira de ressentir, de viver e de produzir a histeria, a neurose infantil, a psicose, a conflitualidade familiar, a leitura dos mitos e etc... O próprio inconsciente freudiano evoluiu ao longo de sua história; só que ele perdeu a riqueza efervescente e a inquietude do ateísmo de suas origens e voltou-se a centrar-se na análise do eu, na adaptação social, ou na conformidade da ordem significante, em suas versões estruturalistas. Ele é uma arma capitalista!!
lipão/fê escreveu às
11:00:00 AM -