Partindo de uma idéia de economia coletiva, de agenciamentos coletivos de subjetividade, que, em algumas circunstâncias, em alguns contextos sociais, podem individuar. Para ilustrar isso, tomemos como exemplo particular e obvio a linguagem:
Existe a linguagem como fato social e existe o indivíduo falante. A mesma coisa acontece com todos os fatos da subjetividade. A subjetividade está em circulação nos conjuntos sociais de diferentes tamanhos: ela é essencialmente social, e assumida e vivida por indivíduos em suas existências particulares.
O modo pelo qual os indivíduo vivem essa subjetividade oscila entre dois extremos: uma relação de alienação e opressão a qual o indivíduo se submete à subjetividade tal como recebe, ou uma relação de expressão e de criação, na qual o indivíduo se apropria dos componentes da subjetividade, produzindo um processo que eu chamaria de singularização. Se aceitamos essa hipótese, vemos que a circunscrição do antagonismo sociais aos campos econômicos e políticos a circunscrição do alvo de luta á reapropriação dos meios de produção ou dos meios de expressão política encontra-se superada. É preciso adentrar o campo da economia subjetiva e não mais restringir-se ao da economia política.
Em face desse sistema de meditação intrínseca dos processos de desejo pela linguagem, penso ser necessário elaborar uma outra concepção do que seja efetivamente a produção de subjetividade, a produção de enunciados em relação a essa subjetividade. Uma concepção que não tenha nada a ver com postular instâncias intrapsíquicas ou de individuação ( como nas teorias do ego) nem instâncias de modelização de semiótica icônicas (como encontramos em todas as teorias relativas às funções de imagens no psiquismo). Um exemplo dessas últimas é a teoria freudiana: Freud quis constituir uma economia social da subjetividade a partir dos sistemas de identificação e de toda problemática dos ideais do ego.
lipão/fê escreveu às
1:35:00 PM -