O lucro capitalista é, fundamentalmente, produção de poder subjetivo. Isso não implica uma visão idealista da realidade social: a subjetividade de produção social e material. O que se poderia dizer, usando a linguagem da informática, é que, evidentemente, um indivíduo sempre existe, mas apenas enquanto terminal; esse terminal individual se encontra na posição de consumidor de subjetividade. Ele consome sistemas de representação, de sensibilidade, etc.- sistemas que não tem nada a ver com categorias naturais universais.
Por exemplo: o jovem que passeia pela rua equipado com um walkman estabelecem com a música uma relação que não é natural. A indústria altamente sofisticada, ao produzir esse tipo de instrumento ( tanto como meio quanto conteúdo de comunicação), não esta fabricando algo que simplesmente transmita a música ou organize sons naturais. O que esta industria faz é, literalmente, inventar um universo musical, uma outra relação com os objetos musicais: a música que vem de dentro e não de um ponto exterior. Em outras palavras, o que ela faz é inventar uma nova percepção.
Outro exemplo é o das crianças. De fato, elas percebem o mundo através das personagens do território domestico, no entanto isso é apenas em parte verdadeiro. Seu tempo é passado principalmente diante da televisão, absorvendo relações de imagens, de palavras, de significação. Tais crianças terão toda a sua subjetividade modelizada por esse tipo de aparelho.
Outro exemplo, ainda, são as experiências feitas por antropólogos em sociedades ditas primitivas. Eles apresentam vídeos para tribos, e constataram que o vídeo era olhado como objeto até divertido, mas como qualquer outro. Essa reação nos mostra que o tipo de comportamento que consiste em ficar inteiramente focalizado no aparelho, numa relação de comunidade direta, só existe em nossa sociedade. É ela que o produz
lipão/fê escreveu às
10:37:00 AM -