Daquelas ruas empoeiradas
Das mãos e unhas cheias de sujeira
E do vizinho em frente que tinha um filho por ano
Ainda me lembro e com prazer
Da minha escolinha de duas salas
Da professorinha que vinha de muito longe todas as manhãs
E da minha vergonha em ter as minhas unhas cortadas por ela
Ainda e me dá prazer lembrar
Das arapucas e dos preás que pegávamos sem culpa alguma
Da minha dificuldade em jogar futebol com meus amigos
E das minhas tentativas de estourar boiada queimando sal
Vi estupefato a cadelinha do vizinho tendo cria
E não parava de sair sangue e cachorrinhos
E os postes de madeira sendo trocados por brocas que furavam o solo em minha curiosidade infantil
Ah que tempo bom e mal...
Bom pela lembrança do velho louco que vagava dia e noite pelo bairro
Mal pelas surras muito bem dadas após as mais absurdas traquinagens
Bom pelas pedras no trilho do trem
Mal pelo medo das pedras produzirem tragédia
Mal pela mãe morta nos trilhos do trem
E a ausência de qualquer possibilidade de manifestação
Estava mais preocupado com a minha
A minha mãe!
ASS: Ferosv- amigo,professor de geografia, advogado e poeta
lipão/fê escreveu às
12:19:00 PM -