Quem sou?
De onde venho?
Eu sou ?
E basta dizê-lo então?
Como sei dizê-lo?
Imediatamente?
Tá, mais imediatamente verei o meu corpo atuar
Voar em estilhaços
E em dois mil aspectos notórios
Refazer
Um novo corpo
Onde nunca mais Poderei esquecer-me.
Se quiserem, podem meter-me numa camisa de força
mas não vou negar: não existe coisa mais inútil que um órgão.
quando tiverem conseguido um corpo sem órgãos
então o terão libertado dos seus automatismos
e devolvido sua verdadeira liberdade.
e não precisrá mais de mim
E não precisará mais me prender
E nem me deixar em um asilo de alienados.
E nem me fazer uma medicina que nunca deixou de me revoltar.
Se não tivesse havido médicos nunca teria havidos doentes.
nem esqueletos de mortos
nem doentes para escortaçar e esfolar,
porque foi com médicos e não com doentes que a sociedade começou.
lipão/fê escreveu às
12:44:00 PM -