Ao invés de sujeito de enunciação ou das instâncias psíquicas de Freud, prefiramos falar de agenciamento coletivo de enunciação
O agenciamento coletivo não corresponde nem a uma entidade individuada nem a uma entidade social predeterminada
A subjetividade é produzida por agenciamentos de enunciação. Os processos de subjetivação, de semiotização- ou seja, toda produção de sentido, de eficiência semiótica- não são centrados em agentes individuais ( no funcionamento de instâncias intra-psíquicas, egóicas, microssociais), nem em agentes grupais. Esses processos são duplamente descentrados. Implicam o funcionamento de máquinas de expressão que podem ser tanto de natureza extra-pessoal, extra- individual ( sistemas maquínicos, econômicos, sociais, tecnológicos, icônico, ecológicos, etológicos, de mídia, enfim sistemas de mídia, sistemas que não são mais imediatamente antropológicos), quanto de natureza infra-humana, infra-psiquica, infra-pessoal ( sistemas de percepção, de sensibilidade, de afeto, de desejo, de representação, de imagens de valor, modos de memorização e de produção idéia, sistemas de inibição e de automatismo, sistemas corporais, orgânicos, biológicos, fisiológicos, etc..)
Toda questão está em elucidar como os agenciamentos de enunciação reais podem colocar em conexão essas diferentes instâncias. É claro que não estou inventando nada: essa posição pode ainda não estar verdadeiramente teorizada, mas, com certeza, está plenamente em ação em todo o desenvolvimento da sociedade
lipão/fê escreveu às
11:49:00 AM -