Aquilo que se convencionou chamar de trabalhador social- jornalista, psicólogos, de todo o tipo, assistentes sociais, educadores, animadores, gente que desenvolve qualquer tipo de trabalho pedagógico ou cultural em comunidades de periferia, em conjuntos habitacionais, etc. atua de alguma maneira na produção de subjetividade. Mas, também, que não trabalha na produção social de subjetividade? Não vejo inconveniente nisso, mesmo por que é inevitável nesta altura do dos acontecimentos. Não penso ser possível, ou mesmo desejável, voltar para a produção de subjetividade que constituísse, por exemplo, em regulamentar a passagem de uma faixa etária para a outra, através de sistemas de iniciação (esses são, é verdade, sistemas de festas, de representações maravilhosas, mas são extremamente cruéis).
Embarcamos nesse processo de divisão social geral da produção da subjetividade e não há mais volta. Mas, por isso mesmo, interpelar todos aqueles que ocupam posições de ensino das ciências sociais e psicológicas, ou no campo do trabalho social ? todos aqueles cuja profissão consiste em se interessar pelo discurso do outro. Eles se encontram numa encruzilhada política e micropolitica fundamental. Ou vão fazer o jogo dessa reprodução de modelos que não nos permitem criar saídas para o processos de singularização, ou, ao contrário, vão estar trabalhando para o funcionamento desses processos na medida de suas possibilidades e dos agenciamentos que consigam pôr para funcionar. Isso quer dizer que não há objetividade cientifica alguma nesse campo, nem numa suposta neutralidade na relação ( por exemplo, analítica )
Na verdade, essas teorias servem para justificar e legitimar a existência dessas profissões especializadas, desses equipamentos segregativos e, portanto, da própria marginalizarão de alguns setores da população. As pessoas que, nos sistemas terapêuticos ou na universidade, se consideram simples depositárias ou canais de transmissão de um saber cientifico, só por isso já fizeram uma opção reacionária. Seja qual for sua inocência ou boa vontade, elas ocupam efetivamente uma posição de reforço dos sistemas de produção da subjetividade dominante. E não se trata de um destino de sua profissão.
Nenhum corpo científico, nenhum corpo de referência tecnológica garante uma justa orientação. A garantia de uma micropolítica processual, aquela que constrói novos modos de subjetivação, que singulariza, não se encontra nesse tipo de ensino. A garantia de uma micropolitica processual só pode ? e deve ? ser encontrada a cada passo, a partir dos agenciamentos que constituem, na invenção de modos de referência, de modos de práxis. Invenção que permita, ao mesmo tempo , elucidar um campo de subjetivação e intervir efetivamente nesse campo, tanto em seu interior como em suas relações com o exterior. Para o profissional do social, tudo dependerá de sua capacidade de se articular com os agenciamentos de enunciação que assumam sua responsabilidade no plano micropolítico
lipão/fê escreveu às
1:24:00 PM -