Pessoas profundamente magoadas pela vida suspeitam de toda a alegria, como se esta fosse sempre ingênua e demonstrasse irracionalidade, em vista da qual poderíamos sentir apenas comiseração eeentercenimento, como sentiríamos ante uma criança prestesa morrer, que na cama ainda mima seuas brinquedos.Tais pessoas enxergam, por baixo de todas as rosas, túmulos ocultos e dissimulados;divertimento, agitação, música festiva lhes parece o resoluto engano de si mesmo de um doente grave, que por um minuto ainda quer saborear a embriaguez da vida. Mas esse julgamento sobre a alegria não é outra coisa que a refração dela no fundo escuro do cansaço e da doença: é ele mesmo algo tocante, irracional, que leva à compaixão, é inclusive algo ingênuo e pueril, mas vindo daquela segunda infância que segue a velhice e antecede a morte.
lipão/fê escreveu às
10:11:00 AM -