PARTE II
Complexidade deriva do latim complectere= entrelaçar, tecer junto.
? A complexidade é um tecido de constituintes heterogêneos inseparavelmente associados? ( Edgar Morin)
Desde o inicio do século passado a complexidade começa ser tratada de uma forma um pouco mais honesta, se assim pode-se dizer. A psicanálise colaborou muito para isso. Freud ao postular a idéia de inconsciente, postulou para o mundo uma nova forma de pensar. Uma forma que aceita a contradição, um exemplo são as instâncias mentais, ego, id e superego, que no inicio do seu texto são postulados didaticamente como territórios separados , mas ao longo do texto vai descrevendo sobreposições, conexões e ramificações.
A sua ?nova? proposta de postular o ser humano provocaram agressões ao pensamento cientifico tradicional. Esse pensamento ainda permeia muito nossa maneira de pensar até hoje, mas a grande prova que isso vem sendo visto de outra maneira são os fenômenos contemporâneos, como por exemplo: o crescimento das atividades paramédicas, o crescimento das medicinas alternativas ( acupuntura e homeopatia), a humanização nas instituições de saúde e de natureza social e a nova maneira de tratar o profissional, diversas formas pedagógicas, extras atividades como arte e esportes para a colaboração da educação, novos pensamentos sobre as manifestações artísticas ( devemos isso aos modernistas), as reformulações acadêmicas e as especialidades profissionais a cada dia mais precisando de pessoas ecléticas dentro de suas funções.
? A computação mais vertiginosa é menos complexa que a mínima ternura? ( Edgar Morin)
Mas a psicanálise disparou com seus conceitos tornando-se uma verdade única, e uma bandeira a ser defendida e difundida, deixando para traz filosofia, ciências exatas e outras... que contribuíram muito para a ampliação de possibilidades de pensar. A relatividade, mecânica quântica, teorema de Godel, princípio de Heisenber, principio de complementaridade de Böhr, sem contar dos avanços do inicio desse século.
?Se nós nos servimos de nossa estrutura de pensamento para pensar. Será necessário nos servimos de nosso pensamento para repensar nossa estrutura de pensamento? ( Edgar Morin)
O principio da complementaridade de Börh veio trazer uma visão sobre a discutida questão da dualidade da onda, partícula: ? onda e partículas representam aspectos complementares do mesmo fenômeno.? Efeso ( filosofo) falou sobre a coincidência dos opostos ( lembremos sua frase mais citada: viver de morrer, morrer de viver). Para o pensamento aristotélico simplificador os opostos se relacionam exclusivamente pela oposição e com isso tenta-se evitar o risco de contradições ( provavelmente alguém já usou esse argumento para te convencer da possibilidade de um bom relacionamento. Esta aí a origem).já a coincidência e complementaridade são aspectos da complexidade. A filosofia oriental taoista trata a complexidade dos opostos por meio do yin e yang, para eles são configurações inseparáveis e só podem ser compreendidos na sua relação complexa um com o outro.
? Só se pode amar porque se odeia, só se pode odiar porque se ama?
Quando se nega algo consequentemente se afirma a existência da oposição pela própria negação. Objetos, sentimentos, níveis de realidade coexistem entre um e outro em um fluxo dinâmico. O todo cria as partes assim como as partes criam o todo assim como que as partes podem ser o todo se você as percebe como um universo único. Mas é importante pensar que essas partes que podem ser uma totalidade e uma força dinâmica em si mesma depende de todas as outras para existirem, elas são dependentes da relação uma com a outra para serem compreendidas.
A ciência clássica ( tradicional) sempre recorreu com sucesso a aproximações eficientes e soluções simplificados pragmáticas; a geometria por exemplo; lida com linhas retas e formas definidas. Isto atende as nossas necessidades materiais práticas, mas não supri aos sistemas naturais, incluindo o cosmológico, o infinitesimal e entre eles o ser humano, seu corpo mente e seus processos mentais.
A matemática não responde suficientemente algumas questões porque parte de um ponto de referencia imaginário, ela é somente uma linguagem como qualquer outra.
lipão/fê escreveu às
9:43:00 AM -