Há um corpo que não soa, que não toca, está sem força está sem cordas
O amplificador esta cheio de pó...
A sonoridade tem um aspecto velho, tudo soa meio anos 70 e logo tudo parece meio anos 70
E todo esse espaço me lembra um tempo não vivido e chato por se viver demais assim
A roupa moderna jogada sobre a roupa moderna
Prazeres e segredos amontoados embaixo delas
Os calçados pelo chão revela: um desenho de uma coreografia confusa
Os personagens que dançam são crianças de vários tempos
Instrumentos quase confundidos com a minha presença
Discos tratados como livros
Livros rolando no toca discos
Frases rascunhadas sobre papeis e artigos
Repete-se um sentido, toca-se temas repetidos
O violão como estante de estudos não lidos, mas identificados
Achei uma velha foto 3 por 4 embaixo da cama quando ainda tinha cabelos comprido
Pego minhas palavras e deito sobre as letras
As transo, as confundo e me compõem e decomponho-me ao sonhar em cima delas
Elas provocam o meu parto. É onde parto que nasço
E o que nasce divide a privacidade de minha cama
-alguma coisa cheira mal aqui e só agora percebi que é meu corpo morto
lipão/fê escreveu às
1:25:00 PM -