Parte I : ?canto da mente?
Certa vez li sobre uma profissional da área da psicologia que apresentava uma ideia sobre a inveja como fio condutor das reações emocionais dos analisandos.
O tema ? a inveja,? tem sua fundamentação na teoria Kleniana, que fala das disposições psíquicas de quem dá e de quem recebe algo de valor. Importante pensar no caso que estamos falando de Klein que tem sua aproximação na psicanálise onde a relação primordial esta em mãe- bebe, e isto atende a um modelo assimétrico onde há alguém que dá é alguém que recebe. A partir disso, aquele que recebe, mesmo dependendo da disposição afetiva de quem dá, estaria a principio inevitavelmente sujeito a uma atitude ambivalente de gratidão e inveja.
Em sua experiência clinica ela traz como ênfase, é o fato de que ela sempre procura uma forma de deixar seus pressupostos teóricos em um ?canto da mente,? pois e os deixasse na frente da mente ela poderia distorcer os fatos observados para encaixa-los em sua visão teórica .
Que ?canto da mente? é esse que ela se refere? Parece-me que ela diz que tem a habilidade de pensar no que quer a hora que for preciso, podendo controlar todas suas forças de expectativas e ansiedade como uma pessoa e obviamente analista . Parece que esse ?canto da mente? não pertence aos territórios do consciente e nem do inconsciente, pois ambos compartilham da mesma lógica simbólica e portanto, mesmo que o analista mobilize uma disciplina ativa, não conseguiria que sua escuta estivesse contaminada pelas suas suposições teóricas. O risco de atribuir seus pensamentos ( a inveja primária) , a motivação de todas as manifestações de quem é analisado é inevitável, mesmo que ela acredite se livrar da teoria e ? humanizar? sua prática, é impossível negar o que ela pensa sobre as vivência do analisado, ela acaba se contaminando novamente com suas própria concepções. Esse problema se agrava quando existe da parte do analista uma adesão assumida por uma corrente teórica, principalmente se essa se contrapõe a uma outra corrente, tornando-se uma bandeira a ser defendida e difundida.
? É extremamente tentador encontrar um caminho de certezas que norteie a prática de qualquer disciplina, crença ou pensamento? Ignácio Gerber
? Ora, se não estivemos conscientes de que nossa teoria são formas de insiht sempre em transformação, proporcionando molde e forma à experiência com a natureza assemelha-se muito à experiência com seres humanos. Se alguém se aproxima de um outro homem com uma teoria fixa a respeito dele, como um inimigo contra qual é preciso se defender, esse homem responderá da mesma maneira e, portanto a teoria será , aparentemente, confirmada pela experiência? ( acho que foi Bion!!)
Esse problema não é novo, aliás nada novo e tem sido a muito tempo amplamente discutido em praticamente todos os ramos do conhecimento desde a filosofia, sociologia,antropologia e etc..
Ignácio Gerber diz que para procurar em que canto da casa guardamos algo, temos que Ter uma idéia, ainda que esquemática e aproximada da planta da casa, das disposições e das potencialidades dos espaços. Uma casa com vários andares são comunicáveis diretamente entre si. É claro que se tratando da mente é mais complicado, pois trata-se de espaços simbólicos ou níveis de realidade.
Ignacio usa termos como: diferentes lógicas, níveis de realidade para tentar criar uma aproximação com uma situação paradoxal que escape de explicações simples ( ou melhor, tão simples que torna-se complicado)
?A realidade, as coisas, as pessoas o mundo responderá de acordo com a maneira que foi abordado?
lipão/fê escreveu às
11:09:00 AM -