O que costumo ouvir desatento é mais interessante que o que me dizem com atenção.
Falam matemática e física, ouço matemática espírita.
Não pode ser isso.
Recuso.
São meus ouvidos loucos, surdos.
E fico com a versão dadaísta, impressionista, surrealista.
O louco verbal me atrai mais do que o razoável convencional.
Dessa maneira, afino minha audição para o silêncio calculado, espantado.
Fico quieto, observante, atento às palavras passantes.
O que ouço e me faz silencioso são as frases ditas sem palavras.
Como os gatos e os cachorros, percebo freqüências mudas.
Meu futuro, meu passado, ecoam fazendo tremer minha intuição apavorada, não desejada.
Não quero, prefiro não saber ignorar.
E então volto a sintonizar no mundo real, anormal.
lipão/fê escreveu às
12:12:00 PM -